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Aditivo para reboco

Aditivo para reboco: traço, banda de HPMC e fórmula por 1.000 kg

Reboco não falha por falta de aditivo: falha porque a areia não tem curva, porque a base levou a água antes de o cimento hidratar ou porque a massa foi aplicada grossa demais de uma vez. Aqui você vê a banda de HPMC que serve a esta camada, o teto de RDP e uma fórmula de partida por 1.000 kg para converter no seu saco de 25 kg.

Atualizado: 2026-10-26 · 8 min de leitura

O que o reboco faz que a camada de baixo não faz

O chapisco entrega dentes; o reboco entrega plano. É a primeira camada em que a espessura é decisão sua, e ela manda no resto: a massa com corpo guarda água que tem de sair por uma superfície que já seca. Regularizar, proteger da chuva e receber acabamento: três obrigações só desta camada.

Bloco cerâmico chupa; concreto é liso. Nos dois casos a sua camada tem de entregar o que falta embaixo: corpo para vencer a irregularidade e água retida para o cimento hidratar.

Os três estratos que sustêm a fórmula

São três estratos, cada um com sua alavanca. O ligante — cimento Portland e, se o seu mercado pedir, cal — dá resistência e aderência química. O árido graduado é o esqueleto e o que mais pesa na balança. O aditivo não é carga nem ligante: retém água, dá corpo e, em camada fina, flexibilidade. Massa e argamassa de reboco são o mesmo produto, com dois nomes.

O sintoma aponta o estrato. Massa que escorrega: aditivo. Camada que trinca ao secar: água e granulometria. Camada fraca que esfarela: ligante-árido. As famílias estão em aditivo para argamassa; aqui interessa a que segura água.

O árido manda mais que o aditivo

Na tabela por 1.000 kg, a areia ocupa de 780,5 kg a 830,5 kg e o HPMC, de 3,5 kg a 4,5 kg. A obra inteira discute os poucos quilos de aditivo. O esqueleto decide quanta pasta você precisa, e pasta é água: numa curva contínua os finos preenchem os vazios entre os graúdos, e a pasta lubrifica em vez de tapar buraco. Menos pasta é menos água e menos retração.

Quando a curva falha, o vazio cresce e a conta sobe. Areia só fina pede mais água; areia só grossa deixa buraco entre grãos e exige mais pasta. Os dois terminam em massa fraca, que trinca. Argila é o terceiro problema: o filme em volta do grão impede a pasta de agarrar. Já o máximo de 4 mm é limite de grão, não de espessura: acima disso a massa fica difícil de espalhar e de desempenar.

Peça a curva granulométrica e o teor de finos ao seu fornecedor antes de mexer em dose. Um vidro com areia e água, agitado e deixado assentar, mostra o que a sua areia tem de sobra. Trocou a pedreira, refaça a comparação com a areia nova: ajuste o árido, não o cimento.

A banda de HPMC do reboco e a dose que a sustenta

A banda desta camada é de 60.000 – 100.000 mPa·s, com dose de 0,2 % a 0,5 %. Todo percentual desta página é sobre o peso seco total da mistura, não do cimento isolado. Não é a banda mais alta do catálogo de HPMC: você precisa de retenção contra a sucção do bloco, mas também de pasta que se espalhe e continue aberta. Massa corrida é outro produto, com outra banda.

A água de amassamento tem duas saídas: a base, por sucção, e o ar, por evaporação. O HPMC fecha a primeira, porque eleva a viscosidade da água de poro. A segunda continua aberta, e por isso retenção resolve aderência e não resolve trinca: uma camada pode estar colada e cheia de fissura. Numa camada espessa, a base puxa a água do fundo antes de o topo perdê-la para o ar — e é esse gradiente que deixa face bonita com verso arenoso.

Confira: 3,5 kg por tonelada é 0,35 %, dentro da faixa. Se você está em 0,5 % e solta água na face, não é dose: é base quente, finos demais ou camada grossa.

RDP: quando entra e onde para

Reboco estrutural não leva polímero, e é decisão de produto: a aderência sai do cimento sobre base preparada. O RDP entra quando a camada vai sofrer — fachada com chuva e sol, aplicação fina, reforma sobre muro velho — na faixa de 1,0 % a 2,0 %, com teto em 2,0 %.

Acima de 2,0 % você não formula reboco: de 2,0 % a 3,0 % é argamassa de aderência; de 2,5 % a 4,0 % é camada base de isolamento. A base do nosso RDP é VAE. Ele não corrige trinca por excesso de água nem substitui a cura, e oclui ar no misturador — daí o antiespumante. Na argamassa colante o polímero é protagonista; aqui, coadjuvante.

Fórmula de partida por 1.000 kg

Trabalhe sobre 1.000 kg de mistura seca: é a base de fábrica e converte para saco de 25 kg dividindo por 40. Os números são ponto de partida de fábrica, não norma — ajuste com o seu cimento, a sua areia e a espessura.

ComponenteReboco base, duas demãos (kg)Reboco de fachada modificado (kg)Reboco fino de renovação (kg)
Cimento Portland166,0190,0195,0
Areia quartzosa graduada (máx. 4 mm)830,5796,0780,5
HPMC 60.000 – 100.000 mPa·s3,54,04,5
RDP (base VAE)010,020,0
Total1.000,01.000,01.000,0

Para converter, divida cada massa por 40: 4,15 kg de cimento, 20,76 kg de areia e 87,5 g de HPMC fecham os 25,0 kg do saco. Pese o éter numa balança de precisão: 87,5 g num saco é dose, e a de obra não vê essa diferença.

A coluna base não leva polímero; a de fachada soma RDP por chuva e sol; a de renovação leva o dobro porque a camada é fina e cola em muro velho.

As falhas que você vê na obra

Em reboco, quase toda falha é água na quantidade ou no lugar errado: sobrando na massa, dá retração e véu branco; faltando na interface, dá descolamento e superfície que esfarela.

SintomaCausa mais provávelPrimeira ação
Fissura em mapa nas primeiras horasRetração plástica: a face seca antes do fundoMolhar a base, baixar a água, proteger do sol e do vento
Placa solta com som ocoBase poeirenta ou seca, camada grossa numa demãoUmedecer e fechar em duas demãos
Superfície que esfarelaCamada pobre de ligante ou cimento sem águaConferir retenção antes de mexer no cimento
Véu branco na faceSais que migraram com a águaCortar o caminho da água
Malha fina semanas depoisÁgua e finos demais na areiaRevisar granulometria e água

Olhe o verso da placa: arenoso e friável acusa a sua camada, pobre de ligante ou sem água; liso, sem chapisco, acusa a interface; com o chapisco colado, acusa a base. Anote a água de cada betonada: é a variável que mais muda e a única que ninguém anota.

Aplicação e cura: o que decide o resultado

Feche a camada em duas demãos em vez de uma grossa: a primeira fecha a base, a segunda constrói o plano. Não deixe a primeira secar antes de receber a segunda.

Sol e vento tiram a água da face mais rápido do que ela chega de baixo, e aí a camada racha nas primeiras horas. Trabalhe na sombra e mantenha a superfície úmida nos primeiros dias: a cura separa um reboco são de um rachado.

Nesta faixa de 60.000 – 100.000 mPa·s a fábrica produz em Jinzhou, Hebei, e o lote sai da China com destino ao Brasil. Não há fornecedor local nosso: o mínimo é de 1 tonelada métrica para éter, 500 kg para os outros aditivos, e 7 a 15 dias após a confirmação. Peça a amostra nessa banda e rode com a sua areia: o caminho é o contato com a fábrica.

Perguntas frequentes

A areia que eu uso no chapisco serve para o reboco?

Serve como ponto de partida, não como resposta. O chapisco quer dentes: grão graúdo e superfície aberta ajudam. O reboco quer plano e espessura, então a curva precisa ser contínua, com os finos preenchendo os vazios dos graúdos e tamanho máximo de 4 mm. Areia muito fina pede mais água de amassamento e devolve em trinca. Teste a sua antes de fechar a fórmula.

Vale a pena colocar cal no reboco?

Depende do seu mercado e da sua areia. A cal melhora a trabalhabilidade e ajuda a segurar água, o que faz diferença em areia pobre de finos. Em troca, ela muda a demanda de água e a dosagem de éter passa a precisar de novo ajuste. Se você vai colocar cal, refaça a comparação de dosagem com e sem ela antes de mexer no HPMC.

Por que o reboco de renovação leva mais polímero que o de fachada?

Porque o problema é outro. Na fachada o polímero serve para resistir a chuva, sol e ciclos de molhado e seco. Na renovação a camada é fina e vai colar em muro velho, muitas vezes pintado ou pouco absorvente, e aí o que segura é o filme de polímero na interface. Por isso a coluna de renovação chega ao dobro da de fachada, e nenhuma das duas passa do teto de 2,0 %.

Qual é a espessura máxima de uma camada de reboco?

Não existe um número que sirva para toda obra, e desconfie de quem dá um. O limite prático é a sua capacidade de fechar a camada sem que a água do fundo já tenha ido embora: quanto mais grosso numa demão só, mais água tem de atravessar a camada e mais tensão fica na interface. Divida em duas demãos e deixe a última mais fina.

Por que apareceu véu branco em uma parede só?

Porque o véu só aparece onde a água atravessa a camada e seca na face. Se apenas uma parede apresentou, ela teve uma condição diferente: base mais úmida, mais sol, mais vento ou mistura com mais água. Em reboco, o caminho mais curto é cortar água na origem — menos água de amassamento, base saturada antes de aplicar e nada de demão sobre face quente. Lavar resolve a aparência por uma semana.

O reboco soltou em placas: o que o verso da placa me diz?

É o exame mais útil que você tem. Verso arenoso e friável indica camada pobre de ligante ou sem água para hidratar: o problema é a massa. Verso liso e poeirento, sem marcas de chapisco, indica que a pasta nunca agarrou a camada de baixo. Se o chapisco veio colado na placa, a falha está mais atrás: na base. A correção começa pelo lado que o verso aponta, não pelo cimento.

Consigo o mesmo resultado molhando bem a parede e tirando o HPMC?

Em muro muito absorvente e com aplicador experiente, dá para aplicar sem aditivo, mas você passa a depender do molhado prévio e da umidade do dia. Sem retenção, a base leva a água de amassamento e o cimento não hidrata por inteiro: a camada fica bonita na face e fraca no fundo. São 3,5 kg de HPMC por tonelada na coluna base — menos que o retrabalho de uma camada solta.

Como testar a fórmula numa parede antes de rodar a obra inteira?

Escolha uma parede pequena na pior condição da obra: face de sol, base mais absorvente, o horário mais quente. Aplique com a mesma equipe e a mesma água que vai usar depois e observe três coisas: se a pasta segura na desempenadeira sem escorrer, se a face não forma pele antes de você fechar a camada e se soa firme ao bater com o cabo da colher no dia seguinte. Só então libere a obra.

Preciso de fibra de polipropileno no reboco?

Só com motivo declarado. A fibra controla a fissuração das primeiras horas, quando a camada perde água rápido demais por sol, vento ou base quente. Em ambiente protegido e com retenção de água correta, ela não compra nada. Se o seu problema é trinca em mapa em toda obra, comece por água e granulometria; a fibra é o terceiro passo, não o primeiro.

O que muda no reboco de fachada além do RDP?

Mais ligante e mais polímero, e a tabela mostra os dois: a coluna de fachada leva mais cimento e entra com 10,0 kg de RDP por tonelada. Além disso, fachada exposta costuma pedir hidrófugo, e aí aparece uma armadilha de balança: o hidrófugo se conta sobre o aglomerante, enquanto o éter se conta sobre o peso seco total. Não misture as duas bases na mesma pesagem.

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